Tecnologia e saberes quilombolas se unem em Moju para produção de chocolate fino com cacau da floresta
Instituto Amazônia 4.0 realiza nova etapa do Laboratório Criativo da Amazônia com quilombolas na Comunidade Moju-Miri, no Pará

O Instituto Amazônia 4.0 concluiu mais uma etapa do Laboratório Criativo da Amazônia (LCA), dessa vez na Comunidade Quilombola Moju-Miri, em Moju (distante 125 quilômetros de Belém). A ação reuniu moradores da comunidade quilombola em uma jornada de aprendizado e valorização da floresta como geradora de riqueza local, qualidade de vida e reconhecimento cultural.
De 14 de abril até 16 de maio, os participantes passaram por formações teóricas e práticas com a equipe do Instituto e o professor César de Mendes, maior especialista em cacau selvagem amazônico e um expert em chocolataria. A capacitação envolveu desde o processo de colheita até a formulação dos produtos finais e serviu como preparativo para atividades de suporte ao evento da COP30.
“Nesta edição em particular, trazemos, junto com o Amazônia 4.0, o acesso a informações diferenciadas do processo e do aproveitamento da cadeia do cacau de chocolate na sua mais ampla integridade. Ajuda a estabelecer uma relação dessas populações com a floresta, e no que diz respeito à conservação e até mesmo à regeneração”, explica o chocolatier César de Mendes.
Desenvolvimento é sustentabilidade
O LCA é um dos projetos do Instituto Amazônia 4.0 para fortalecer a bioeconomia amazônica com base em conhecimento científico, tecnologias 4.0 e protagonismo das populações locais. Em Moju-Miri, a atividade foi realizada em parceria com a Associação dos Moradores Quilombola de Moju-Miri (AQMOMI).
“É um cacau que não contém produtos químicos, é um cacau que é cultivado nos recursos naturais. Então, nós estamos tendo essa oportunidade de aprimorar nossos conhecimentos na área do chocolate”, detalha Suely Cardoso, presidente da AQMOMI.
A atuação também contou com a participação do “Sr. Neves”, produtor de cacau que desde 2021 faz parte da implantação de unidades do Laboratório Criativo da Amazônia (LCA) em comunidades da região.
Além da produção do chocolate fino, no LCA de Moju-Miri também houve a Oficina de Gelateria Tropical, onde o chocolate (e o cupulate) produzidos pelos alunos ganharam um nível a mais de agregação de valor, como ingredientes para gelatos autênticos, feitos em máquinas avançadas. Além dos dois sabores icônicos, a turma produziu gelatos de pupunha, cacau (polpa), cupuaçu, açaí e bacuri-pari.
Ao final da formação, a fábrica-escola abriu as portas para a visitação de toda a comunidade e houve uma festividade de encerramento com venda de chocolates pela associação quilombola. Representantes das secretarias locais também prestigiaram o evento.
Assim como nas outras edições do LCA, a etapa em Moju reforça a proposta do Instituto Amazônia 4.0 de aliar inovação, sustentabilidade e saberes ancestrais, promovendo soluções que dialogam com os territórios e abrem caminhos para uma nova economia da floresta.

